Parece que ontem ainda era Natal...festas de final de ano...e já se foi um terço do ano...o tempo continua a passar, célere e nos convida a reflexões. Todos nós sabemos que a paradoxalmente a única certeza da vida é a morte. A maioria não pensa, nem cogita, esta possibilidade: a de morrer...exceto, talvez, aqueles que, como eu, estão mais próximos das últimas curvas desta estrada chamada existência.
Ao chegar a este estágio, compreendemos que tudo o que ficou para trás, assim como tudo o que ainda está por vir, tem valor muito relativo. A importância das coisas se torna relativa, diante da perspectiva da morte. Tudo, mas absolutamente tudo mesmo, vai ficar aqui e independentemente de convicção religiosa, o ser humano cerra os olhos para sempre, seu coração pára de bater e seu cérebro não mais funciona... seu corpo, inerte, será, de acordo com o que foi convencionado, cremado ou enterrado. Não tem a menor importância, diante disto, as honras, as glórias, as conquistas ou as desonras e as derrotas que trouxeram humilhação, decepção ao ente vivente. No apagar das luzes, no fechar das cortinas do espetáculo da vida. Só vai restar uma lembrança, se é que vai haver lembrança, nos poucos amigos e parentes próximos da criatura. Então, o que é que tem importância? as atitudes do dia a dia, as amizades e laços de sentimentos que se construiu ao longo da jornada, porque é o que vai ficar de cada um, nas lembranças daqueles que cruzaram o seu caminho. Oxalá que sejam lembranças de saudade, de sentimento de perda do ente querido que deu o último suspiro...pois é terrível, no estertor, a partida gerar alívio...se bem que isto também é muito relativo...
